“Além da iniciativa de organização do Fórum, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) vai publicar uma Cartilha de Mudanças Climáticas, em parceria com a Fundação Esquel e o Ministério da Educação e Cultura (MEC)”, disse o coordenador do evento, o pesquisador do Ipea José Aroudo Mota. Segundo Mota, a cartilha será didática e o público-alvo são as escolas públicas brasileiras.
Outra grande novidade é que o 5º Relatório IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) de Mitigação e Adaptação passará a ser realizado pelo Ipea no âmbito do Fórum de Mudanças Climáticas. A terceira notícia é que o Instituto organizará um seminário técnico amplo sobre Mudanças Climáticas no segundo semestre deste ano.
Mota afirmou ainda que “é um marco para o Ipea a constituição deste Fórum”. Ele acrescentou que “o objetivo deste Fórum é não só discutir os temas dentro de gabinetes, mas fazer uma ampla parceria com a sociedade civil, Congresso, estados e municípios a fim de formular políticas públicas”. Mota forneceu alguns dados da degradação do meio ambiente no Brasil, como a destruição de 90% da Mata Atlântica e 40% do Cerrado.
O evento reuniu diversas autoridades, congressistas, jornalistas e representantes de diversas entidades ligadas à defesa do meio ambiente. O presidente do Ipea, Marcio Pochmann, informou que a falha de informações sobre meio ambiente é que fez com que o Instituto tivesse a iniciativa da construção de uma rede que possa contribuir na gestão pública do conhecimento. “Este Fórum é mais que uma rede de produção do conhecimento, ele se propõe a pensar a sociedade, quiçá o mundo, em novas bases”. Ele lembrou que “o desenvolvimento em bases materiais se tornou um mito, já dizia Celso Furtado, que em sua obra mostrou a incapacidade de os países em desenvolvimento de reproduzir o conhecimento dos países ricos”. Pochmann disse que o Ipea tem o compromisso de “oferecer à sociedade mais elementos para pensar o desenvolvimento”.
Um dos participantes da mesa de abertura do evento, o senador Leomar Quintanilha, presidente da Comissão de Meio ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, disse que, “se a degradação dos recursos naturais continuar no ritmo atual, em breve sofreremos os efeitos devastadores dessa destruição. Nesse sentido, ganha especial relevo a iniciativa do Ipea de promover este encontro, oportunizando a todos nós a realização de debates produtivos sobre esse tema”. Para ele, o que está em jogo é a manutenção da vida no planeta Terra e a sobrevivência das gerações futuras. Após séculos de atividade econômica intensa, o planeta dá sinais de que chegou à exaustão.
O senador também falou sobre a iniciativa do Instituto. “Ao instituir este Fórum, entendo que o Ipea tem como objetivo convidar a sociedade brasileira para um amplo debate sobre as mudanças do clima, disseminando informações a respeito dos prováveis impactos desse fenômeno no Brasil, sobretudo na economia, na sociedade e nos recursos naturais. Além disso, busca também encontrar alternativas que nos permitam mitigar esses efeitos e também nos adaptar a essa nova realidade. Como um dos principais órgãos brasileiros formuladores de políticas estruturantes, é louvável que o Ipea busque instrumentos para aprimorar o planejamento das políticas públicas destinadas a preparar o País para enfrentar os possíveis cenários delineados pelos cientistas quanto às mudanças climáticas”. Quintanilha comentou ainda que foi importante a aprovação em 13de maio da proposta de criação do Fundo Mundial Ambiental, cujo objetivo é financiar projetos e ações para conciliar o crescimento econômico com o equilíbrio do meio ambiente em todo o planeta.
O senador César Borges, membro da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle fez uma crítica ao acordo de Bali, que, segundo ele, “não representou avanço significativo”. Ele fez referência ao acordo firmado em Bali para combater as mudanças climáticas, que adiou metas de corte de emissões de CO2 para 2050, uma decisão que foi decepcionante para muitos. Já o professor Elimar Pinheiro do Nascimento, diretor do CDS/UnB, falou sobre a percepção da população, como as pessoas identificam as mudanças climáticas. “Para reconhecer o problema, depende do nível social da pessoa”. Ele defendeu ainda que as tomadas de decisão com relação ao meio ambiente sempre devem ter uma participação aberta. “É preciso ouvir a sociedade”, comentou.
Fonte: Ipea

